quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O humano e as relações de amizade

POR: RIBEIRO, Schaiane.
Artigo publicado no caderno DM em Revista, do Jornal Diário da Manhã.
Publicação em: 21 e 22 de julho de 2012.


No último dia 20 de julho, comemoramos o dia do amigo. A amizade, assim como as demais relações humanas, é constituída por encontros fortuitos que envolvem empatia e geram proximidade, estreitando laços que não raras vezes levam a um elevado grau de intimidade.

Manter relações afetivas com as pessoas a quem chamamos de amigos é fundamental para a saúde mental; Ainda que se tenha um bom relacionamento familiar e/ou um relacionamento conjugal sólido, conviver com pessoas por quem se têm estima e carinho proporciona a possibilidade de troca de vivências e a participação em momentos da vida do outro que podem significar muito mais que a passagem do tempo. Muitas vezes, são os amigos que presenciam ritos de passagem carregados de amplos significados, como casamentos, formaturas, nascimentos, lutos, perdas, viagens entre outros ritos que fazem parte da história do humano.

Para o amigo, se abre a porta da casa, se prepara o melhor prato, se espera com ansiedade pelo momento do abraço. A preparação para receber um amigo começa cedo, por mais que se saiba que este pode tardar em sua chegada. A despedida de um amigo é longa, por mais que se acredite que o reencontro ocorrerá em algum momento. Amigos se abraçam, se beijam, dizem “te amo”, telefonam, mandam e-mails, “quebram galhos”, brigam, divergem, dizem não, somem por um tempo, retornam, pedem colo, oferecem o ombro, guardam segredos, fofocam, SE RELACIONAM! E, estão sempre vivos, seja na memória ou na vida real.

Você já se decepcionou com um amigo? Muitos irão responder que sim, correto? Então, você que por ventura já passou pela triste fase da decepção com amigos, já pensou que pode ter decepcionado também? Já refletiu que seu amigo, assim como você, é humano e como tal, passivo de dúvidas, amores e dores? O humano é falível, e a amizade como algo provindo da necessidade de relacionamento entre os humanos, em alguns momentos está suscetível a falhas, entretanto, há que se lembrar que tudo é relacional, inclusive quando falamos de amizades. Nada pode ser considerado “culpa do outro” ou “falha do outro”, o outro é também parte de nós, assim como somos parte do outro. Em todas as relações, há projeções e introjeções de todas as partes envolvidas. Seu relacionamento com o grupo de amigos não está como você queria? Reflita. Não pense que a “falha” é sua e não pense que a “falha” é do outro, procure lembrar que tudo é relacional.

Estar próximo de alguém, nem sempre significa ser amigo. Estar para o outro, sim. Estar para o outro significa estar inteiro, disponível nos momentos mais necessários. No senso comum a amizade é categorizada de diversas formas: amizades verdadeiras, amizades falsas, amizades coloridas, amizades entre o humano e o animal são as mais citadas pelas pessoas quando se questiona sobre o tema. A amizade verdadeira, para a maioria das pessoas significa estar presente nos momentos de dificuldades e alegrias, compartilhando da vida do outro e estando próximo, já a amizade falsa é tida como aquela onde se pode contar com a presença do outro apenas em momentos felizes, abrange o sentimento de inveja e causa dor. A chamada amizade colorida, muitas vezes é confundida com relacionamentos sexuais casuais, ou seja, o outro não é um cônjuge, não é um “relacionamento sério” e não é um “ficante”, é uma pessoa com que se mantêm relações sexuais e por quem se têm estima, mas pensemos: Sua amizade colorida irá segurar sua mão quando você precisar? Talvez não, por que se isto fizer, estará caracterizando outra forma de relação, que não amizade colorida, de forma que este termo merece ampla discussão e reflexão, pois pode estar sendo confundido com sexo casual.

A amizade entre o humano e o animal, é uma forma de ser amigo que cada vez mais ganha espaço nas famílias contemporâneas. Os animais têm se tornado companheiros dos humanos em diversos contextos, esta amizade que pode também ser parte da chamada amizade verdadeira, é válida e bela, no entanto, precisamos lembrar que estar em contato com outros humanos é importante para nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Cabe aqui também citar a amizade virtual, que assim como a anterior, têm ganhado cada vez mais espaço entre as pessoas de todas as idades. Amigos virtuais podem não estar presentes no dia-a-dia, mas muitas vezes suprem uma necessidade do humano de se comunicar, há casos de pessoas que por portarem uma grande timidez e dificuldade de relacionamento, encontram no mundo virtual uma forma de relacionamento, mantendo contatos, falando (digitando) coisas de sua intimidade e criando laços com alguém que não tem certeza de quem é, uma vez que nunca se pode saber quem está do outro lado da tela. Esta é uma forma de amizade com a qual se faz necessário ter cuidado, pois relações virtuais deixam de ser saudáveis na medida em que substituem relações reais.

Se ontem você perdeu a data e não conseguiu abraçar seu amigo, aproveite o fim de semana para desejar felicidades e agradecer as pessoas que fazem parte de sua vida por sua existência. O dia do amigo tradicionalmente é comemorado no dia 20 de julho, mas pode ser qualquer dia em que você estiver perto daquele amigo que ama, procure fazer deste dia todos os dias.

sábado, 7 de julho de 2012

Futebol: A paixão do brasileiro

Por: RIBEIRO, Schaiane
Artigo publicado no caderno DM em Revista. Jornal Diário da Manhã.
07 e 08 de julho de 2012

Conforme ditado popular “o Brasil é o País do Futebol!” Esta semana se pode acompanhar milhares de brasileiros que vibraram com a primeira conquista do Corinthians na Libertadores da América. Estes torcedores proporcionaram um brilho a mais ao espetáculo, suas lágrimas, seus sorrisos, suas caras pintadas, seu amor e sua devoção, demonstraram a capacidade humana de unir-se em massa diante de um objetivo comum.

 O Rio Grande do Sul também é um dos Estados onde a rivalidade entre as torcidas de times de futebol chama a atenção, pessoas vestem-se com as cores do time e pintam a cara para saudar seus ídolos, jogadores que muitas vezes saem do anonimato por terem sido autores de um gol, ou de um passe para o gol que decide uma partida.

Entretanto, o que há de tão sagrado na idolatria pelos times de futebol? Pessoas necessitam de afeto e este afeto (em sentido amplo de palavra) não raras vezes faltante entre as relações humanas, pode ser transferido para atividades ou objetos. Amam-se carros, ama-se dinheiro, amam-se roupas, ama-se a profissão e ama-se time de futebol. Esta projeção do desejo de felicidade torna-se saudável na medida em que satisfaz o homem e não traz prejuízos em sua forma de vida. Embora, torcedores argumentem que seus times do coração são suas vidas, é mister saber que seu time de futebol não alimentará sua família, não pagará suas contas e não dormirá ao seu lado na velhice.

Ao assistir a uma partida de futebol, é preciso estar ciente de que alguém há de vencer e alguém há de perder. Quando o ato de torcer por um time inicia um prejuízo emocional, impedido o sujeito de realizar suas atividades cotidianas como trabalhar, estudar e se relacionar com os demais em detrimento de uma derrota ou das excessivas comemorações de uma vitória, é necessário refletir sobre o significado deste time na vida deste sujeito e qual vazio que  este excesso de adoração esta buscando preencher.

O anseio da vitória de um torcedor fanático por seu time pode, em alguns casos evidenciar um desejo inconsciente de satisfação de seu próprio eu. O pensamento polarizado de que o time precisa vencer um concorrido campeonato por pensar ser esta será a única alegria de seu ano, se junta a outros milhares de pensamentos semelhantes, formando o grande pensamento de grupo que leva a massa de torcedores comuns a apoiar o time e muitas vezes, se rebelar contra a massa de torcedores de time oposto.

Quando não saudável este pensamento de grupo, pode gerar as brigas entre torcidas rivais, já que uma vez partindo do princípio descrito em parágrafos anteriores: um dos times há de perder, a não aceitação deste fato, gera profunda dor e sofrimento. O sujeito que investiu toda sua energia psíquica e emocional naquele dia que o decepcionou, sem algo que o conforte de imediato, tende a não suportar a visão da felicidade de seu adversário, o que leva a passagem ao ato da violência. A torcida que viu seu time vencer, em contraparida em um falso momento de poder unanime, rebate às provocações a ao ato de violência também com a passagem ao ato.

Segundo o disposto na mais recente versão do Dicionário de Psicologia, elaborado pela American Psychological Association – APA (2010, p. 693) “o pensamento de grupo consiste em sintomas que incluem aparente unanimidade, ilusões de vulnerabilidade e correção moral, pressão interpessoal, autocensura e estratégias de tomadas de decisões defeituosas.”

Ter algo para diversão, como torcer por um time de futebol é importante, afinal o que seria dos homens sem convicções e grupos? Quem nunca vibrou com um gol do “craque” de seu time? O ser humano necessita de formas para liberar seus impulsos e o futebol, “a paixão do brasileiro” é umas destas formas, uma vez que desperta alegrias e por 90 minutos proporciona a fuga de uma realidade constante, que muitas vezes pode não ser tão agradável quanto se quer.

Ter paixões é necessário e faz bem, entretanto, é preciso estar atento aos enredos destas paixões. O futebol é prazeroso quando contemplado de forma saudável e for visto como uma forma de crescimento e amadurecimento pessoal. É necessário lembrar que o futebol, antes de tudo é um esporte, e como tal, também serve para educação. Jogos como o presenciado na última quarta-feira podem ser bons aliados dos pais, por exemplo, na hora de conversarem com seus filhos sobre ideologias, perdas, ganhos e vivencia em sociedade.

Viva-se a alegria dos campos! Que todos possam contemplar com emoções e respeito o esporte futebol, admirar seu time preferido, torcer, sonhar, viver o momento de descontração e felicidade que este proporciona, lembrando que em cada partida, celebra-se a vitória, entretanto, perder não supõem incapacidade ou falta de competência, no futebol, assim como na vida é necessário saber viver a partida maestria.
Ao citar este artigo, indique fonte.

domingo, 24 de junho de 2012

O sentimento de luto diante da perda de um animal de estimação

POR: RIBEIRO, Schaiane.

Artigo publicado na coluna Comportamento e Atitude. Caderno DM em Revista, Jornal Diário da Manhã.
23 e 24 de junho.


É perceptível, por meio das expressões artísticas, que os animais sempre estiveram presentes na vida do homem. Nas famílias contemporâneas, a introjeção de animais domésticos vem ganhando significativo destaque nos meios de comunicação, e os animais de estimação são vistos por muitos, como membros da família.


Entretanto, ter um cão, gato, ou qualquer outro animal requer, além dos cuidados animais, um cuidado emocional aos seus cuidadores, pois uma vez que exerce um papel de membro da família, a morte deste causará dor e tristeza e, este luto que passará a ser vivido pela família deve ser observado com cuidado e respeitado, pois se trata de uma dor que se não resignificada pode levar a sintomas depressivos. A morte de um animal de estimação leva a reflexão da família sobre o que significa a vida e mostra a dificuldade dos homens em entender ou aceitar a morte, seja de um animal ou de um ser humano. Falar sobre a morte não é tarefa fácil, mas é tarefa necessária.


Desde a existência do homem, as questões de vida e de morte fazem parte dos questionamentos deste. Nada, nem a ciência, nem a religião e nem a história da humanidade intrigam mais o homem do que a morte e o que é circundado por ela. Poetas, escritores, músicos, artistas, cada um na sua singularidade vive a morte e o que ela produz de forma triste, bela, feia, passageira ou eterna, dependendo de suas percepções de vida e de suas experiências subjetivas.


O que fica é a certeza de que ela existe. O que tem depois? Não se sabe, mas se sabe o que tem antes, e o que tem antes, chama-se Vida, em suas mais variadas formas, em seus mais diversos contextos, em suas mais diversificadas expressões. Se a vida tem uma cor, a da morte não sabemos, se a vida tem um sabor, o da morte não sentimos, se a vida tem um significado, o da morte com certeza é fruto do que a vida um dia significou. Para tanto, saber viver implica também em pensar sobre as questões da morte, refletir e concluir que para cada ato de vida, há um ato de morte, sim, pois vive e morre-se concomitantemente (ao passo em que respiramos para viver, eliminamos células mortas de nossa pele).


Este é o ciclo de nossa história, perdemos e ganhamos, sentimos e fazemos sentir, temos o outro e somos para o outro. Assim como estamos para a vida, nossa vida está para nossa morte. O que fica é história.


Para melhor embasar o que escrevo, cito a autora Kovács (2005) que comenta em seu artigo “Educação para a morte” que as pessoas se utilizam muito da fantasia da imortalidade, negando a existência da morte, pois só assim é possível sonhar e ir em busca dos seus sonhos. Com o luto mal elaborado, diz a autora, a saúde mental entra em crise e a depressão, e tantas outras doenças, pode(m) vir à tona, pois o luto precisa de um espaço para expressar a dor existente. Em detrimento do luto mal elaborado, a depressão vem sendo uma doença que cresce muito nos tempos atuais.


Aqui cabe também um sinal de alerta para os profissionais da saúde que por presenciarem a dor alheia, muitas vezes se afastam da suas atividades por sofrimento mental. É provável que este profissional por ver a dor do outro não tenha dado espaço para trabalhar com a sua dor.


Quando morre um animal de estimação na família, é preciso viver este luto, permitir as lágrimas e o sentimento de dor. É o momento de a família olhar para si e refletir sobre o que significa esta perda. Trabalhar esta dor é necessário para que este sentimento de perda seja resignificado. Uma morte na família é sempre uma morte na família e é preciso ser vista como algo a ser vivido e superado, independente desta morte ser de um humano ou de um animal. A morte é conhecida como um acontecimento desencadeante de vários sentimentos entre eles, de perda e consequentemente de dor e sofrimento, assim, trata-se de uma dor psíquica muito grande, geradora de uma dinâmica de funcionamento incompreensível, para aqueles que não estão vivenciando o luto.


Na espécie humana a dor psíquica diante da morte pode ser considerada fisiológica, mas sua duração, intensidade e resolução vão depender, muito provavelmente, de como a pessoa experimentou a vida. Para quem tem um animal de estimação, observe como este é resiliente as adversidades do dia a dia, como se soubesse que a morte não dá aviso de chegada. Para quem perdeu um animal recentemente, viva seu luto, mas tenha a clareza de que a morte, tem seu momento de ser, para homens e animais, certamente seu amor por seu animal de estimação não irá findar, mas precisa ser transformado em uma doce lembrança. É preciso ser resiliente e, talvez resiliência não seja apenas um conceito, mas sim, uma regra da vida.


Este artigo é dedicado a Tita, que nos deixa após 13 anos e 4 meses de alegrias.

Ao citar este artigo indique fonte.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Namoro, conjugalidade e coisa e tal

Artigo publicado na coluna Comportamento e Atitude, do caderno DM em Revista.
Jornal Diário da Manhã. Passo Fundo. 09 e 10 de junho de 2012.
Por: RIBEIRO, Schaiane.


Segundo canta Rita Lee, “amor é novela”. Novela? Sim, se partirmos do princípio de que em todas as novelas há casais apaixonados, casais amados, casais odiados, casais enrolados e tantos outros casais, concordamos que amor é mesmo novela.

Nesta véspera do dia dos namorados, dedico este artigo aos casais conjugais, aqueles que estão casados e que pensam que por assim estarem, o namoro acabou. Convido estes casais, a refletirem comigo, sobre o namoro. Mas o que de fato leva o ser humano buscar o namoro? Namorar é “ficar”? Namorar é algo mais sério que “ficar”? É algo menos sério que casar? O que é namorar? Amor! Uma palavra dentro do namoro. Namoro! Uma palavra que traz o amor? O que surge primeiro, o amor ou o namoro? Há quem diga, “nos apaixonamos, começamos a namorar e hoje nos amamos”. Outros: “Amei e o namoro começou, foi amor a primeira vista”.

Analisando o ato de namorar, percebe-se que o namoro surge após um pensamento (preciso ter alguém ao meu lado) que gera um sentimento (estou amando) e leva à um comportamento (namorar).

Se namorar é um comportamento, como se comportam os namorados contemporâneos? Passamos do tempo em que namorar era pegar na mão nos finais de semana no sofá de casa, hoje se namora em todos os lugares. Namoro no trabalho, namoro na faculdade, namoro na escola, namoro na balada, namoro virtual e namoro em casa. Não importa qual a forma de namoro, todas elas trazem consigo os mesmo rituais: o olhar, o olfato, a sensibilidade, o encaixe perfeito. Encaixe perfeito? Quem disse? Ah, essa visão romântica de namoro! Sim, confessemos, todos em algum momento da vida temos a visão romântica do amor, do namoro, do casamento e das relações. O fato, é que todos, independente da forma de namoro buscam no outro o ideal de conjugalidade, entretanto, aquilo que é ideal para Maria, não é para João. E o que ideal para João, não é para Maria. Mesmo assim, João e Maria buscam a mesma coisa, o amor perfeito. Decididos a amar, Maria e João planejam manter uma relação saudável e duradoura, projetam o futuro e prometem serem eternos namorados. A partir desta tomada de decisão, têm inicio o processo de envolvimento de terceiros, as famílias de origem, o meio social que cada um freqüenta, os grupos de amigos e até mesmo a vida financeira toma outros rumos. O casal de namorados passa a assumir uma relação conjugal chamada “séria”, passam então, a alterar seus status em redes sociais. Pronto, o modismo contemporâneo da internet atingiu nossos personagens. Maria e João estão “em um relacionamento sério”, em outras palavras, estão namorando.

Hum, “relacionamento sério”. Logo, pode-se pensar que o tiveram antes não foi sério? Tornou-se sério com o passar do tempo? E, se Maria e João se casarem? Mudarão seus status de “relacionamento sério” para “casados”. Logo, pode-se pensar que quem está casado não está em um relacionamento sério? Bom, penso que este pode ser tema para os próximos artigos. Voltemos às reflexões sobre o namoro.

Pensemos na intimidade do namoro (que é diferente da intimidade conjugal), embora no namoro busque-se muitas vezes, viver uma intimidade conjugal, esta inclui uma convivência (que muitas vezes não é diária) e contempla uma idealização que começará a se transformar com o passar do tempo. Casais de namorados vão ao cinema, ao teatro, a restaurantes, a shows. Casais conjugais também, mas antes pagam as contas, fazem as compras, analisam o orçamento e verificam se aquele compromisso de trabalho pode ser desmarcado, só depois vivem sua intimidade.

A sexualidade do casal de namorados também difere da sexualidade do casal conjugal. O casal de namorados fará amor de formas variadas, comprará um bom vinho e se aconchegará um no outro no inverno Riograndense. O casal conjugal também, porém, antes trabalhará o dia todo, chegará em casa, “organizará a vida” e o ato sexual será a última etapa do dia. Nossa! Pensando assim, parece que ser um casal conjugal não é bom? Não, não pense nesta pergunta. Lembre-se do artigo anterior (26 e 27 de maio) “tudo é relacional”. Mas então, o que é namoro afinal? Talvez, a busca de um casal de enamorados por transformarem-se em um casal conjugal, com todos os seus desafios, suas paixões e seu amor. A busca do amor perfeito.

Segundo o autor Sternberg (1989), o amor completo ou realizado é o que se encontra quando há a funcionalidade das três partes da pirâmide: intimidade, paixão e compromisso. Hoje este artigo da coluna Comportamento e Atitude é dedicada à todos casais conjugais, pois certamente os casais de namorados serão muito lembrados nos próximos dias. À vocês casais conjugais, feliz dia dos namorados! Namorem! Namorem! E, Namorem! Aos solteiros que lêem a coluna, lembrem-se que o desejo de amar e ser amado é algo natural, entretanto, não se deprimam no dia 12, pensem que esta data, também é uma data idealizada.

Ao citar este artigo, indique fonte.
 

domingo, 10 de junho de 2012

Bem me quer, mal me quer: O amor, o ódio e o desejo por consequência

Artigo publicado na coluna Comportamento e Atitude, do caderno DM em Revista.
Jornal Diário da Manhã. Passo Fundo. 26 e 27 de maio.
Por: RIBEIRO, Schaiane.

Lembro de que uma destas noites chuvosas, quando não se sai de casa e se prefere ficar embaixo do edredom, tive a oportunidade de ouvir em um programa de televisão a seguinte frase: ”Fica quieta e ‘bota’ a minha comida”, a partir disto fiz uma analogia com as relações de sadismo e masoquismo e fiquei me questionando sobre a violência doméstica e os chamados “amores bandidos”.

Geralmente nas relações dos chamados amores doentes ou bandidos encontra-se sempre um que exerce o domínio, e outro que é dominado, alterando assim doses de sofrimento e paixão o que gera a ambivalência da relação. A impotência do dominado se torna arrebatadora e torna o ser humano insensato, o amor ardente embota a racionalidade e torna a relação abusiva e viciante, até o ponto de surgir a violência doméstica, onde o dominado vive uma vida tóxica, de dependência emocional, dependência do outro. Assim como existem pessoas que não resistem ao desejo do álcool e outras drogas, existem aquelas que não resistem a sedução do outro, comparando-se, metaforicamente e muito superficialmente com outras patologias, atrevo-me a dizer que se assemelha a bipolaridade, ou seja, assim como na bipolaridade hora se está na mania, hora na depressão, na relação viciante do “amor bandido” hora se está na briga, hora no desejo, como em uma brincadeira de infância de mau me quer, bem me quer.

Os traços depressivos, tristes e o sentimento de vergonha daquele que sofre a violência são disfarçados, muitas vezes, pela raiva que esconde, pelo medo do outro e os conflitos de uma relação mal resolvida. Pergunta-se então, porque esta pessoa que sofre a violência simplesmente não pede a separação, e o surpreendente muitas vezes é ouvir a resposta: “se está ruim com ele, pior sem ele”.

Talvez isto se explique pelo temor da solidão, e temendo ficar só quem sofre a violência deposita no outro confiança e o desejo da mudança, uma vez que pensa ser sempre o outro quem precisa mudar. Na realidade esta mudança precisa ser sistêmica, de forma a deixar a estrutura que esta configurada, funcional, pois, na medida em que se o amor pelo outro passa pela a raiva de si mesmo há a permanência de um pensamento regressivo, e ocorre a tolerância a situação.

Quem são os culpados? Na verdade ambos têm o desejo de manter uma relação idealizada, e nesta relação não existe espaço para aceitar que as coisas mudam, não existe lugar para suportar a realidade do dia-a-dia, logo nos “amores bandidos” a vítima também é bandido, pois ambos estão aprisionados e não tem a chave da porta da prisão. Cabe lembrar que as relações são formadas de 50% de cada um, de forma que ninguém é totalmente vítima nem totalmente culpado.

O casal que vive uma relação de amor disfuncional sempre tende a pensar que tudo é “apenas uma fase”, e tornam-se marionete um do outro, não conseguindo estabelecer vínculos sustentáveis e no lugar de oferecer o que tem de melhor ao outro para ascender seu crescimento, atua a construção mal resolvida do outro.

É claro que amores disfuncionais ou “bandidos” ou “doentes” não justificam a violência doméstica, ao contrário, a violência é o último estágio de um amor disfuncional, pois o “amor bandido” mau trata em silêncio, quando a violência física surge este silêncio é quebrado pois o outro já se transformou em figura depositária para o amargo de uma relação.

E, então o que fazer para mudar isto? Eu diria conhecer a si mesmo, esta é a melhor maneira de conhecer o outro, afinal o homem é mil e apenas um.

No amor funcional, existe a troca, a entrega e a proximidade, nele os personagens utilizam os olhos da “alma”, os ouvidos do coração e também da razão, pois o amor às vezes necessita ser racional.

O amor conjugal é como embalagem, à medida que se abre se descobre o produto.

Ao citar este artigo indique fonte.

sábado, 30 de julho de 2011

Eu trabalho, tu trabalhas, nós trabalhamos no nó do trabalho

Por: RIBEIRO, Schaiane
Artigo de opinião publicado no Jornal Eletrônico IMEDiATO News, ano 2011.

Ampliar o olhar para os mais diversos significados e formas de sucesso, faz parte do mundo daqueles que buscam crescimento contínuo, pensando nisto, vejo a possibilidade de estagiar na área de Psicologia Organizacional no Setor Gestão de Pessoas, como uma oportunidade, não apenas facilitadora do aprendizado, mas também de perceber o ser humano dentro do mundo do trabalho através se sua forma de agir e construir o coletivo.


A prática de gerir pessoas é apontada por muitos autores e consultores como sendo a “ferramenta para o sucesso”. Pois bem, considerando as palavras de Nelson Rodrigues que nos trazia já em meados dos anos 40 que “talento é mais barato que sal, o que separa uma pessoa talentosa da bem-sucedida é muito trabalho duro”, pode-se considerar que trabalhar com gestão de pessoas requer feeling para perceber quando os múltiplos talentos agregados podem ou não formar o nó do sucesso.


Utilizo aqui o termo “nó” para metaforicamente simbolizar as relações que surgem nos ambientes de trabalho, que é formado pelas pessoas e sua visão de si, do outro e do mundo. Ao agregar os fios que formam o “nó” das empresas, as pessoas trazem consigo suas experiências de vida e profissionais, somados os nós subjetivos de cada pessoa, temos o nó “intersubjetivo – institucional” (termo que confesso não ter surgido da ciência, mas sim, de um ato de empirismo) que dará alicerce para a formação da cultura organizacional de cada empresa.


Considerando a sabedoria popular e seu dito de que “seria muito fácil trabalhar com pessoas, não fossem as pessoas”, percebe-se que trabalhar com gestão de pessoas é desatar nós ao passo de formar outros tantos, na expectativa de se tornarem produtivos na trilha do tão almejado sucesso. O nó da organização nem sempre é perceptível, ora se mostra por comportamentos de seus inúmeros fios (os colaboradores), ora pela textura de cada fio (ou singularidade de cada um). Conforme nos é lembrado pelas palavras de Zanelli (2008, p. 466) “a compreensão integral do ser humano, portanto, depende de uma compreensão da sua inserção no mundo do trabalho e das relações que são criadas no interior das organizações em que trabalha.”


Lembrar, portanto, que pessoas são formadoras de organizações faz parte da busca pelo nó do sucesso, que quando bem costurado ganhará o sentido de unidade e força, do contrário fará jus ao sentido primeiro da expressão “nó”. A Psicologia, neste aspecto, não deve se fechar na organização, mas sim, estar aberta a novas possibilidades e de forma ética e perspicaz atuar juntamente com as demais áreas do conhecimento – dentre elas, destaca-se a administração - em busca do bem-estar coletivo e duradouro, o que contribui para o trabalho e para costurar o nó na escalada do sucesso.



Ao citar este artigo indique fonte: RIBEIRO, Schaiane: Eu trabalho, tu trabalhas, nós trabalhamos no nó do trabalho.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pra o meu consumo

Composição:
Letra Gujo Teixeira
Música Luiz Marenco

 Têm coisas que tem seu valor
Avaliado em quilates, em cifras e fins
E outras não têm o apreço
Nem pagam o preço que valem pra mim

Tenho uma velha saudade
Que levo comigo por ser companheira
E que aos olhos dos outros
Parecem desgostos por ser tão caseira

Não deixo as coisas que eu gosto
Perdidas aos olhos de quem procurar
Mas olho o mundo na volta
Achando outra coisa que eu possa gostar
Tenho amigos que o tempo
Por ser indelével, jamais separou
E ao mesmo tempo revejo
As marcas de ausência que ele me deixou..

Carrego nas costas meu mundo
E junto umas coisas que me fazem bem
Fazendo da minha janela
Imenso horizonte, como me convém

Daz vozes dos outros eu levo a palavra
Dos sonhos dos outros eu tiro a razão
Dos olhos dos outros eu vejo os meus erros
Das tantas saudades eu guardo a paixão
Sempre que eu quero, revejo meus dias
E as coisas que eu posso, eu mudo ou arrumo
Mas deixo bem quietas as boas lembranças
Vidinha que é minha, só pra o meu consumo...



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A psicanálise tem futuro em um estado autoritário?

Resumo do artigo "Conheça Dr. Freud" (Meet Dr. Freud). Publicado no The New Yorker.

RESUMO: Carta da China sobre a demanda crescente para a psicanálise entre os chineses. Roteirista fala sobre Elise Snyder, professor associado de psiquiatria clínica na Universidade de Yale que, em 2001, começou a recrutar analistas americanos para fornecer uma análise de pacientes chineses sobre a Web via Skype. O conceito de discutir problemas e emoções com um estranho é contrária a algumas crenças poderosas da China. Para a maior parte da história chinesa, a doença mental tinha um estigma de fraqueza. A saúde mental foi deixada em grande parte para ervanários. Na época da revolução comunista, em 1949, a China tinha cerca de sessenta  psiquiatras para uma população de quase quinhentos milhões de euros. Discute os problemas de saúde mental causado pelo Grande Salto em Frente, a Revolução Cultural, e recente expansão econômica da China. Informa sobre os suicídios de trabalhadores em fábricas da Foxconn, que fazem iPhones e outros aparelhos eletrônicos, e uma série de atentados mortíferos em crianças jovens, homens de meia-idade. Segundo a The Lancet, cerca de um em cada cinco adultos na China tem um transtorno mental, tal como definido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Escritor reúne Snyder e seu marido, Michael Holquist, em Pequim. Desde as primeiras análises via Skype, Snyder tinha criado uma organização sem fins lucrativos chamada de China-Americana de Psicanálise Alliance (CAPA). Dois anos atrás, Snyder começou um programa de treinamento baseado na Web em psicoterapia que tem alunos em doze cidades chinesas. Entrevistas escritor aspirante a analista chinês chamado Zhong Jie, que trata de pacientes que sofrem de problemas conjugais ou familiares decorrentes de traumas sociais, como a Revolução Cultural. Fala sobre um grupo de analistas americanos e seus cônjuges que tinham vindo para a China para uma excursão organizada por Snyder. Considera que a eficácia da análise recebida via Skype e discute se as diferenças culturais entre os analistas americanos e pacientes chineses podem impedir o tratamento. Entrevistas do escritor Zhang Jingyan, um professor aposentado de história da arte que está em análise e psicoterapia estudando. A psicanálise pode dar aos chineses um vocabulário para discutir os efeitos da Revolução Cultural, ou o custo real de uma corrida frenética para a prosperidade, ou o pedágio da vida sob o autoritarismo, mas o escritor acha difícil imaginar as últimas "Freud Febre" duradouras. É mais provável que a China absorva o mais prático das idéias de Freud e descartar o resto, como tem com o marxismo, capitalismo e outras importações.


Fonte do resumo:  

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FeLiZ 2011!!!!!

“Feliz olhar novo!"
(Carlos Drummond de Andrade)



"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.

O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o aqui e o agora.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...

Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?

Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem. O ano que passou foi um ano cheio.

Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.

Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.

A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor machucou. Normal. O próximo ano não vai ser diferente. Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que eu desejo para todos nós é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos colegas. Ou mude de classe, transforme-o em conhecido. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém. O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro: cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade).

Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes. Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!"


Feliz Natal!


Eis que surge lá no fundão da estância, após se entreverar por várias coxilhas mundo a fora, o loco de buenacho, o Índio Noel, montadito em sua charrete cheia de presentes, que mais parece um mascate vindo do Uruguai, para novamente celebrar o nascimento do Piazito Do Peito, uhh guri de respeito,
gaudério dos pampas, chamado Jesus, Filho da Dona Maria, prenda flor de rezadera, e do Seu José, um carpinteiro pra lá de especial.
Este Piazito veio pra salvar toda a indiada que se perdeu pelas carreradas da vida.
Que este Natal, juntamente com toda tropilha de amigos, o Índio Noel traga PAZ, SAÚDE e PROSPERIDADE a todos os maragatos, chimangos e viventes de todas as várzeas e coxilhas.
(autor desconhecido)





terça-feira, 5 de outubro de 2010

Então, qual o ofício do mediador?

RIBEIRO, Schaiane.

Conforme estudos realizados no grupo de estudos Mediação de conflitos: perspectivas teóricas e processos de intervenção, do qual participo, juntamente com colegas da Escola de Psicologia, observa-se que no primeiro capítulo O Ofício do Mediador, Warat (2004), coloca que o papel do mediador passa pelo ato de provocar, estimular e auxiliar as pessoas na compreensão de algo.

De forma quase poética o autor expõe ao leitor que o homem em muitas ocasiões deixa-se envolver pelo próprio ego, não se permitindo assim a escuta do outro, o que o leva a ter de buscar soluções para seus confrontos através de um terceiro. Usando o termo mestre como metáfora, o autor expõe ainda que a função deste mestre é ajudar seus discípulos, porém não os manter presos a si. Entende-se por esta metáfora, o sentido do mediador, que na condição de mestre auxilia seus discípulos, aqueles que o buscam, para que encontrem a saída que tanto desejam, fazendo assim com que não permaneçam dependentes de suas decisões.

Warat (2004) faz uma explanação sobre o ego e sobre os sentimentos humanos que geram conflitos tanto existenciais quanto conflitos entre pessoas. Estas explicações revelam que o ser humano constitui seu ego através do convívio com o ambiente onde se insere, o aprendizado o torna homem na medida em que convive e observa os outros homens. Logo, o mediador também tem que ter a consciência de que sua criatividade também está sendo formada através do convívio com os demais, por isto a importância da sensibilidade do mediador para ouvir o relato do outro e para conseguir se manter neutro nas questões, pois através da neutralidade conseguirá proporcionar ao outro que pense em soluções sem entregar a este soluções prontas. O mediador deve compreender o problema sem criar conflito com ele, pois se criar um conflito com o problema, não conseguirá mediar às partes.

A questão da neutralidade fica clara quando o autor se refere aos sentimentos de medo e de raiva. Segundo ele, se o mediador deixar transparecer estes sentimentos a mediação está fadada ao fracasso, por isto Warat (2004) coloca que: “... não poderemos ser reais em nosso silêncio”.

Segundo o autor anteriormente referido, o mediado precisa ser espontâneo e autêntico para que a mediação ocorra, ou seja, ele precisa querer ser mediado e para isto, se libertar das aparências.

O mesmo coloca ainda que se faz necessário sentir o conflito, para que então seja possível instigar pensamentos de ação sobre ele. O mediador não intervém no conflito, mas sim ajuda as partes a olharem para si para que possam compreender seu conflito.

Para Warat (2004), a mediação precisa ser feita com sensibilidade, onde os mediados necessitam estar com seus conflitos internos resolvidos para que então possam resolver seus conflitos entre si. Para ele, o ego e a mente geram os conflitos internos, uma vez que a mente produz pensamentos que poluem os sentimentos, surgindo assim, o conflito. Logo, o mediador deve estar também mediado, e entender o valor da não resistência.

Segundo o autor, o mediador deve sempre estar disponível para que as partes se sintam à vontade, sendo que mais importante que a comunicação é a comunhão entre as partes. O papel do mediador se assemelha ao de um psicoterapeuta de vínculos conflitivos, entretanto, não tem a capacidade de interpretação que tem o psicoterapeuta. O mediador apenas faz a escuta, mas não tem o conhecimento para interpretar as questões do outro.

Warat (2004) ainda ressalta a importância da autonomia. Segundo ele, a mediação está ligada ao desejo de autonomia, pois, aquele que se propõe a mediação tem a possibilidade de encontrar saídas para suas questões, sem a imposição de um terceiro, uma vez que o mediador não faz o papel nem de juiz, nem de advogado e nem de psicoterapeuta.

Nestas primeiras 55 páginas, o autor aborda questões da existência humana para que então se possa compreender o sentido da mediação, abordando características comportamentais e principalmente falando de sentimentos, Warat (2004) dialoga sobre a mediação como uma forma prática e válida para resolução de conflitos entre os seres humanos, no entanto, enfatiza que para se conseguir a resolução para pos conflitos entre si, tanto o mediador quanto as partes medidas necessitam ter, primeiramente, a resolução de seus conflitos interiores. Além desta característica, o mediador ainda deve contemplar outras características humanas, como a sensibilidade, a compreensão e a ética para com os demais, proporcionando assim, com que os mesmos encontrem a medida do amor para assim encontrarem a solução para seus conflitos.

Referencial Bibliográfico:
WARAT, Luis Alberto: O ofício do mediador. In: Surfando na Pororoca. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2004.

Violência doméstica e uso de substâncias psicoativas: uma relação sem fronteiras***

Por:
Angela Machado de Souza*
Schaiane Ribeiro

Márcia Fortes Wagner***



A divulgação de casos que envolvem temas como drogadição e violência, tendem a despertar em todos nós sentimentos conflitantes como raiva, indignação ou, algumas vezes, até indiferença pela constante exposição a fatos violentos. Tais sentimentos surgem em resposta às experiências de vida de cada sujeito bem como do contexto onde se encontra inserido.

A agressividade, quando não canalizada adequadamente, pode originar comportamentos violentos, os quais muitas vezes são desencadeados pelo uso de substâncias psicoativas, especialmente álcool e/ou crack. A presente pesquisa investigou o que diferentes autores afirmam sobre o assunto. Alguns autores como Bastos et. al (2008) colocam que a correlação entre o uso de drogas lícitas e ilícitas tem influência significativa nos casos de violência doméstica, especialmente contra a mulher, o que é possível observar pelo crescente aumento de casos divulgados pelos meios de comunicação. Especialistas como Fonseca (2009), que estudam a temática em âmbito nacional e internacional, concordam que, na maioria dos casos, os agressores mantêm ou mantiveram vínculo afetivo com as vítimas, bem como o uso de substâncias psicoativas está presente em grande parte dos casos de agressão.

Nos últimos anos, o aumento de casos de violência contra a mulher levou a sociedade e os poderes públicos a pensarem alternativas para o fato. Dessa forma, em 22 de setembro de 2006, um movimento contra tais atos de violência propiciou o surgimento da chamada “Lei Maria da Penha” a qual entrou em vigor com a Lei 11.340/2006, que recebe este nome por ser uma homenagem a uma mulher que se tornou marco ao resistir às agressões de seu ex-esposo. Essa Lei previne a violência física contra a mulher, bem como a violência que causa danos psicológicos, sexuais, materiais e morais.

O artigo 7º do II capítulo da Lei 11.340/2006 apresenta as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher:

* a violência física- ofensa a integridade ou saúde corporal,

* a psicológica - geradora de danos emocionais e diminuição da autoestima, bem como prejuízos no desenvolvimento de ações, comportamentos, crenças e tomada de decisões (ameaças, constrangimentos, humilhações, manipulações, situações de isolamento, vigilância constante, perseguições, entre outras)

* a sexual - quando há constrangimento ao presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, bem como o impedimento de uso de métodos contraceptivos ou a anulação do direito de reprodução e a imposição do casamento e do aborto

* a patrimonial - destruição, detenção ou retirada de objetos ou documentos pessoais

* a moral - qualquer posição de calúnia, difamação ou injúria.

Sem respeitar fronteiras, a violência não pede licença, acomete diferentes idades, classes sociais ou religiões, tornando-se uma questão mundial com consequências imensuráveis. Abrange questões físicas, sexuais, comportamentais e principalmente psicológicas, pois inclui toda ação ou omissão que causa ou visa causar dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento das pessoas, fazendo com que se sintam menos valorizadas e desprotegidas, tornando-se propensas a aceitar o papel vitimizador a que estão submetidas como sendo parte de suas condições de vida.

Violência e uso de drogas merecem a atenção da sociedade, pois onde se encontrar violência, se encontrará também vestígios do uso de algum tipo de substância, e vice-versa. Neste contexto, onde violência e drogadição são fortes coadjuvantes, a mulher torna-se a protagonista de maior sofrimento. Muitas vezes silencia; entretanto, o mesmo silêncio torna-se gritante na sintomatologia orgânica ou comportamental que surge devido à violência psicológica.

É senso comum pensar a Psicologia enquanto sinônimo de comportamento humano. Contudo, é necessário compreender que, enquanto ciência, a Psicologia deve ultrapassar as barreiras da redução de danos e ir além da vítima e vitimizador. Nessa perspectiva, é fundamental a compreensão do funcionamento e a modificação da cadeia circular: droga – violência – mulher. A vítima deve ser estimulada a entender que quem sofre a violência deposita no outro confiança e o desejo da mudança, na expectativa de ser sempre o outro quem precisa mudar, mas na realidade, quem pode ser o agente de mudança é também quem sofre a violência.



*Graduandas da Escola de Psicologia, VIII nível, da Faculdade Meridional, IMED.
**Psicóloga e Pedagoga. Mestre em Psicologia Clínica e Doutoranda em Psicologia pela PUCRS. Professora da Escola de Psicologia da IMED e Orientadora da pesquisa.
*** Artigo proveniente de pesquisa realizada pelas acadêmicas na disciplina de Pesquisa em Psicologia II. Este artigo foi veiculado também nos Jornais O Nacional e Diário da Manhã, de Passo Fundo em 4 e 5 de setembro de 2010 e no Jornal O Acadêmico de outubro de 2010.
Ao citar este artigo, indique fonte.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Dia do Psicólogo

Artigo veiculado também no Jornal Diário da Manhã de Passo Fundo;
Jornal O Acadêmico;
Blog: psicologiaimed.blogspot.com
O aniversário do coadjuvante
RIBEIRO, Schaiane


No dia 27 de agosto, comemora-se o dia do Psicólogo. A isto, o que teríamos a mencionar? Muitas colocações poderiam ser aqui pautadas, entretanto, pensa-se que neste dia, o essencial não passa por discussões sobre temas polêmicos e que deveriam ser focos de discussão, afinal, no dia das mães ou no dia dos pais alguém fala sobre problemas que afetam a sociedade? No Natal e no Reveillon alguém se lembra do Ato Médico, da proibição da avaliação realizada por Psicólogos Jurídicos ou da má Interpretação e Aplicação dos Testes Psicológicos? Na Páscoa, alguém discute sobre a remuneração da categoria? Pode ser que sim, mas acredito que é bem provável que não, por isto, neste dia, falemos de outras coisas.

O homem nunca saberá quantos homens habita em sim, por isto, tornasse todos os homens do mundo em um único, e quando todos estes inquilinos da casa que habitam resolvem dialogar nem sempre concordando com as inquietudes que assolam seus pensamentos, o pobre coração, residência fixa destes inquilinos, faz com que o corpo dance e esta dança se chama vida. Nela, os passos não permitem ensaios, por isto, nem sempre são firmes, demandam paciência e tolerância. Quando o proprietário sente a dificuldade de dançar com passos firmes e percebe que o contrato do aluguel de seus inquilinos está próximo do fim, ele procura um coadjuvante que lhe permita ensaios para sua dança. O protagonista, não sabe que seus inquilinos são frutos de contextos diferentes, por isto o deixam confuso. A confusão é fruto do paroxismo atingido pelas limitações de um homem cansado, este cansaço, por conseqüência faz com que o furor das palavras se transforme em lágrimas. Então, o coadjuvante percebe que as lágrimas que lentamente brotam e repousam sobre o rosto do protagonista, desenham um caminho. O coadjuvante então, sutilmente mostra ao protagonista que mesmo longínquo, o Sol pode aquecer a alma de seus inquilinos.

Como se chama este processo? Psicologia, e tem em sua dança, vários protagonistas que buscam a permissão para o ensaio de seus passos e que neste mês aplaudem o coadjuvante que faz aniversário. Em nome do DASCOMPLICA, felicitações e votos de elevada estima e consideração a todos os profissionais da Psicologia.


Ao citar este artigo, indique fonte: RIBEIRO, Schaiane.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Autopsicografia

Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.



Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)











quarta-feira, 14 de julho de 2010

A maturação do Sistema Nervoso Central

No ano de 2009, minha amiga e colega Mariana Rodrigues Machado e eu, sob orientação da professora Cibila Vieira, produzimos um artigo para o Jornal O Nacional sob o título A maturação do Sistema Nervoso Central, este artigo foi publicado no jornal referido em dezembro de 2009 e agora pode ser conferido aqui no blog bem como no Blog da Psicologia IMED.
Boa leitura.


A maturação do Sistema Nervoso Central

Mariana Rodrigues Machado
Schaiane Ribeiro *

Cibila Vieira**

O estudo sobre a mente e sua relação com o corpo, teve seu início no século XIX e até hoje desperta interesse em diversos profissionais da área da saúde. Atualmente procuramos integrar nosso entendimento sobre relação, corpo e mente, razão e emoção teoricamente já dissociada há muito tempo. Tal interesse fez com que surgisse uma nova área do conhecimento, a neuropsicologia, que investiga a relação do sistema nervoso, comportamento e cognição.

Durante muito tempo, a maioria das pessoas acreditou que a vida tinha seu início no nascimento, entretanto, atualmente discute-se em que ponto a vida inicia, ponto em comum é que torna-se essencial o desenvolvimento fetal adequado, uma vez que distúrbios neste período podem alterar o processo normal de desenvolvimento. O sistema nervoso surge entre a terceira e a quarta semana após a fecundação, inicia-se a partir da ectoderme, uma diferenciação celular que forma a placa neural. Posteriormente durante o desenvolvimento a placa neural será transformada em tubo neural, onde cada região desse tubo dará origem a diversas partes do sistema nervosa central.

Quando nascemos nossas funções são exercidas principalmente por padrões geneticamente determinados, ou seja, por instintos e reflexos. A medida que a criança vai crescendo os padrões de reflexos sedem seu lugar a atividades mais organizadas e dirigidas, como por exemplo, os movimentos voluntários das mãos a partir do 3º mês de vida.

Logo após no 6º mês a criança já terá desenvolvido áreas motoras e corticais do cérebro, obtendo dessa forma maior equilíbrio e integração entre o que vê e escuta. Aos 2 anos suas habilidades motoras estão melhor desenvolvidas e assim conseguindo vestir roupas simples. A maturação de regiões ligadas ao julgamento e programação de atividades dará a criança aos 4 anos, a capacidade de julgar certo e errado e também organizar brincadeiras.

È observado durante a maturação e desenvolvimento cerebral que ocorrem várias fases, intercalando fases rápidas de desenvolvimento com fases mais lentas, onde ocorre a estabilização das funções que foram desenvolvidas nas fases mais rápidas. Percebe-se, portanto, que o estudo do sistema nervoso central torna-se de fundamental importância, uma vez que qualquer alteração durante o processo de sua formação poderá acarretar em problemas cognitivos que alterarão o comportamento do indivíduo gerando prejuízos nas esferas sociais, familiares e ocupacionais do sujeito. Lembrando que esta maturação se dará frente a um ambiente que pode ser estimulante ou não sendo assim questões biológica, genéticas e ambientais andam de mãos dadas para o bom desenvolvimento de nossas crianças e de nos mesmos. A psicologia enquanto ciência que tem por objeto de estudo o comportamento, uma visão renovada e interdisciplinar certamente será mais produtiva para compreender a complexidade do ser humano quanto ao seu comportamento.


*Graduandas em Psicologia pela Faculdade Meridional IMED.

** Orientadora: Cibila Vieira, psicóloga, especialista em neuropsicologia, professora da Faculdade Meridional IMED.

Ao citar este artigo indique fonte: MACHADO, Mariana R.; RIBEIRO, Schaiane (2009).


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Qual o significado da gratidão

A Doberman está grávida.
O bombeiro acaba de salvá-la de um incêndio em sua casa, a salvou e colocou no jardim, e logo continuou sua luta contra o fogo.
Quando finalmente conseguiu apagar o fogo, se sentou para tomar um pouco de ar e descansar.
Um fotógrafo do jornal Notícias da Carolina do Norte/EUA, notou que a cadela observava a distancia o bombeiro.
Viu a Doberman caminhar direto até o bombeiro e se perguntou o que ela vai fazer.?
Assim que levantou sua câmera, o animal chegou até o homem cansado que acabara de salvar a sua vida e de seus bebês.
O fotógrafo captou o momento exato em que a cadela beijou o bombeiro.
Fonte: Jornal Notícias da Carolina do Norte/EUA

terça-feira, 11 de maio de 2010

Inspiração pela música

Tudo o que define, ou não, um momento histórico.

Esquadros
(Adriana Calcanhoto)

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!


Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes

Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...



Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...



Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...


Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?



Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?



Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...


Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...



Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...


Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...



Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...